Consolidando a paquera com segmento de custódia de criptomoedas iniciada há alguns meses, o Goldman Sachs, um dos titãs de Wall Street, liderou a série B de investimentos na BitGo que atingiu US$ 58,5 milhões.

O mundo das criptomoedas está amadurecendo rápido e essa maturidade vem aguçando o interesse de big players do setor financeiro tradicional pelo setor. Há meses o Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, vem declarando que precisa oferecer alternativas para seus clientes que estão investindo em criptoativos, especialmente na parte de custódia.

Por isso, a notícia de que o gigante de Wall Street foi um dos maiores investidores da Série B de investimentos da BitGo, uma corretora de criptomoedas que detém cerca de US $ 2 bilhões em ativos de clientes, distribuídos em 95 criptomoedas diferentes.

Fundada em 2013 e com sede no Vale do Silício, em meados de setembro deste ano, a BitGo conseguiu conseguiu a aprovação para operar como custodiante regulamentada pelo South Dakota Division of Banking. Com isso, ela se tornou o único serviço de custódia do mercado dirigido exclusivamente para o armazenamento de ativos digitais.   

Com a devida aprovação legal – um diferencial extremamente atraente –, a BitGo partiu para a sua Série B de captação de investimento. Conseguiu levantar US$ 58,5 milhões. De acordo com o anúncio feito hoje, com essa injeção de capital, a arrecadação total da startup salta para aproximadamente US $ 70 milhões.

Também participando da rodada de financiamento estava o Galaxy Digital Ventures, um fundo de criptomoeda fundado pelo bilionário bitcoin bull e ex-parceiro do Goldman, Mike Novogratz. A notícia foi primeiramente divulgada pela Bloomberg, que disse que a Goldman Sachs e a Galaxy Digital contribuíram juntas com cerca de US $ 15 milhões para a rodada de financiamento.

“Se você estivesse investindo em qualquer outra classe de ativos, provavelmente não estaria preocupado com a possibilidade do ativo simplesmente desaparecer – mas com esse tipo, as pessoas ainda têm esse medo”, disse Mike Belshe, co-fundador e CEO da BitGo, em entrevista à Bloomberg. “Nós temos que conquistar isso”, disse se referindo à confiança dos usuários em geral.

O fato é que receber a luz verde dos reguladores é bom, mas o que realmente convence o mercado é ter a benção e o apoio financeiro de uma empresa como a Goldman Sachs. Isso deve ajudar muito a startup a construir essa confiança.

“A maior participação institucional nos mercados de ativos digitais requer soluções de custódia seguras e regulamentadas”, disse Rana Yared, diretora administrativa do grupo Principal Investimentos Estratégicos da Goldman Sachs. “Estamos impressionados com o produto da BitGo, os serviços exclusivos e a equipe de gerenciamento. Nós vemos nosso investimento na BitGo como uma excelente oportunidade de contribuir para a evolução desta infra-estrutura crítica de mercado”, afirmou

Enquanto isso, a BitGo também deve evitar a concorrência de agentes financeiros tradicionais que estão começando a construir produtos blockchain para seus clientes interessados em moedas digitais. Por exemplo, Fidelity Investments — quinta maior administradora de ativos do mundo, com 27 milhões de clientes e US $ 7,2 trilhões em ativos sob gestão e administração — anunciou nesta semana que estava lançando uma empresa separada chamada Fidelity Digital Asset Services para fornecer custódia de criptomoedas e serviços de execução comercial para investidores institucionais. A empresa já contratou a Galaxy Digital como seu primeiro cliente de custódia.

Além disso, diz-se que o próprio Goldman Sachs está trabalhando em um produto de custódia para ativos de criptomoeda, embora não esteja claro quando esse produto seria lançado. Anteriormente, o Goldman anunciou que estava lançando uma mesa de negociação de bitcoin, embora mais tarde tenha arquivado esses planos para se concentrar na custódia da criptomoeda.

Talvez o processo de bancarização do segmento de criptomoedas esteja acontecendo mais rápido do que a maioria dos players se dá conta.



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