Na opinião do bilionário Mike Novogratz, considerado um visionário do setor de criptoativos, o Tether falhou ao não ser transparente em relação à sua reserva em dólares e, por isso, está sofrendo com o lançamento das novas stablecoins.

A semana não foi fácil para o Tether. Segunda-feira, o USDT perdeu sua pegada ao dólar americano – passou a valer US$ 0.96 – e desde então continua a ser negociado com um desconto para sua suposta avaliação de US $ 1,00.

A queda foi atribuída à combinação de medo, incerteza e dúvidas e também ao fato de que o surgimento de outras stablecoins está impactando o reinado do pioneiro Tether, que há muito tempo domina esse nicho de mercado. No entanto, o investidor bilionário de criptomoedas Mike Novogratz diz que os problemas do USDT são, principlamente, culpa da falta de transparência que cerca a administração financeira da moeda.

“Acho que a Tether não fez um ótimo trabalho em termos de transparência”, disse Novogratz na quarta-feira em uma conferência em Frankfurt, de acordo com um relatório da Bloomberg. O ex-diretor da Fortress especificamente citou  que a Tether Limited, a criadora do token, tomou decisões discutíveis como operar no exterior, não ser clara sobre seus aspectos financeiros e também por ter relações instáveis com seus bancos.

Atualmente o Tether está com suas reservas no Deltec Bank, com sede em Nassau, onde abriu uma conta depois de romper os laços com o Noble Bank, de Porto Rico. Nenhuma dessas relações foi confirmada publicamente.

Preocupado com a opacidade da empresa, Novogratz disse preferir algumas das novas opções de stablecoin, particularmente o Gemini Dollar (GUSD), que é emitido pela exchange de criptomoedas fundada por Cameron e Tyler Winklevoss. Ao contrário do Tether, os ativos da Gemini estão alojados em um banco americano, o State Street, com sede em Boston. Além disso, a Gemini obteve a aprovação do Departamento de Serviços Financeiros de Nova York (NYFDS) para emitir o token e também contratou a empresa de contabilidade BPM LLP para avaliar os relatórios mensais de auditoria da Gemini, detalhando que o token é sempre totalmente garantido por USD.

“O conceito de stablecoins faz sentido”, disse Novogratz, explicando que eles são ideais para transações comerciais, ao contrário do bitcoin, ao qual ele se referiu como “ouro digital”.

Justamente porque têm esse apelo junto aos usuários, concorrência entre as stablecoins está ficando cada vez mais acirrada. Entre os que têm aprovação dos reguladores do sistema financeiros estão o Gemini Dollar (GUSD), o Paxos Standard (PAX), o TrueUSD (TUSD) e o USD Coin (USDC). Essa turma toda passou a ser negociado em várias exchanges importantes nas últimas semanas – incluindo a gigante chinesa Huobi, que anunciou esta semana que incluiu essas moedas na sua plataforma.

De acordo com a CCN.com, todos esses tokens têm sido consistentemente negociados a um preço mais elevado, sugerindo que, pelo menos no momento, o mercado confia mais neles do que no USDT. Além disso, dois deles – GUSD e USDC – foram adicionados como opções de liquidação na BitPay, que processou mais de US $ 1 bilhão em pagamentos de criptomoedas no ano passado.

Em comentários posteriores postados no Twitter, Novogratz enfatizou que ele acredita que o USDT é totalmente apoiado por dólares físicos e não quer semear rumores sobre o token.

“Eu gostaria de contextualizar essas citações, já que a última coisa que eu quero fazer é espalhar o FUD. Eu disse que achava que o Tether tem um dólar para cada token e que nós os comercializávamos ativamente. O fato de quase US $ 700 milhões ter sido resgatado de forma ordenada é importante”, disse Novogratz. Apesar disso, ele disse que o Tether deve trabalhar mais para ganhar de volta a confiança perdida e provar que seu token deve ser negociado com sua avaliação total de US $ 1,00.



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